Me (^o^)/

Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.
(A Hora da Estrela)

Clarice Lispector

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Amor By Andrea Novais.





A busca pelo (suposto) verdadeiro amor de nossas vidas é uma série de tiros no escuro, como brincar de cabra-cega ou esconde-esconde. Seu olhar cruza o de outra pessoa (morno…), ela sorri pra você (quente.), vocês se aproximam e começam uma amizade (muito quente!) e aí você diz pra ele que está interessada no menino bonito que viu no elevador e decide investir todos os seus esforços para conquistá-lo (frio…). O problema da vida real, quando comparada ao jogo, é que, além de vendados, estamos surdos, então não ouvimos os “quente” ou “frio” que a vida travessa (e um pouco sádica, devemos admitir) cochicha em nossos ouvidos.
E assim ficamos tateando no escuro, sem qualquer orientação, exceto pela obsessão (que parece já ter nascido com a gente!) de que encontrar o grande amor de nossas vidas é o grande objetivo de nossa passagem pela Terra. Todo o resto é secundário. Ao fim de cada caminho errado na minha jornada rumo ao “grande amor da minha vida”, paro para tentar entender o que pode ter saído errado. Se eu me desviei da rota certa (e para onde leva essa rota certa?), se passei raspando pela pessoa certa em uma estação de trem, ou se já me sentei em sua direção em algum café, onde ambos estávamos acompanhados e sem a oportunidade de sequer sorrir.

Também me pergunto se já não encontrei a pessoa, mas não a reconheci. Se ela não está contida no corpo daquele cara chato que eu evito encontrar todos os dias no almoço; ou daquele amigo que sempre ouve com atenção, paciência e até certo carinho minhas desventuras amorosas; se estava naquele cara com que eu me decepcionei precocemente ao desconfiar que ele estava a fim da minha amiga; se estava no recepcionista do hotel que, depois de uma conversa sobre gostos musicais, colocou Smiths pra tocar e sorriu pra mim;  se estava no colega de trabalho que piscou pra mim, com certa cumplicidade, ao perceber o quanto eu fico nervosa ao falar em público. Fico imaginando várias pessoas, todas vendadas, indo de encontro umas às outras, mas passando batido por aquela que realmente devem encontrar. Aliás, os desencontros sempre me chamaram a atenção, até mais que os encontros.


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